PDF- -Trabalho Feminino no Brasil: Desigualdades de Gênero e - RI UFBA - O TRABALHO DA MULHER BRASILEIRA NAS DÉCADAS RECENTES

LHO DA MULHER BRASILEIRA NAS DÉCADAS RECENTES...

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CRISTINA BRUSCHINI

O TRABALHO DA MULHER BRASILEIRA NAS DÉCADAS RECENTES

O crescimento da participação feminina no mercado de trabalho brasileiro foi uma das mais marcantes transformações sociais ocorridas no país desde os anos 70.

Fartamente documentada pelos estudos sobre o tema e apoiada em dados,

a presença das mulheres no mercado de trabalho brasileiro,

vem sendo cada vez mais intensa e diversificada e não mostra nenhuma tendência a retroceder,

apesar das sucessivas crises econômicas que têm assolado o país a partir dos anos 80.

Não é demais lembrar que os conceitos e procedimentos metodológicos tradicionalmente utilizados para medir o trabalho sempre ocultaram a contribuição feminina.

O papel de dona-de-casa,

desempenhado pela maior parte das mulheres em idade adulta,

é contabilizado nas coletas como inatividade econômica.

Dada a maior difusão e aceitação social desta função feminina,

é bastante provável que ela seja declarada como a principal ocupação da informante,

mesmo quando ela exerce também outro tipo de tarefa.

No setor agrícola ou mesmo em muitas atividades informais na zona urbana,

sempre que não ocorre uma nítida separação entre as tarefas domésticas e as atividades econômicas,

As estatísticas sobre a participação econômica feminina,

devem ser analisadas com extrema cautela,

pois além de revelarem apenas a parcela não-doméstica da contribuição da mulher à sociedade,

Várias são as razões do ingresso acentuado das mulheres no mercado de trabalho a partir dos anos 70.

A necessidade econômica,

que se intensificou com a deterioração dos salários reais dos trabalhadores e que as obrigou a buscar uma complementação para a renda familiar é uma delas.

Os dados referentes à década de 70 mostraram,

que não só as mulheres pobres entraram no mercado,

mas também as mais instruídas e das camadas médias.

Outras causas,

também explicavam o novo comportamento feminino.

A elevação,

das expectativas de ESTUDOS FEMINISTAS 1 79 N.

E /94

face à proliferação de novos produtos e à grande promoção que deles se fez,

redefiniu o conceito de necessidade econômica,

não só para as famílias das camadas médias,

mas também para as de renda mais baixa,

embora a sobrevivência seja a questão crucial,

passa a haver também um anseio de ampliar e diversificar a cesta de consumo.

Trabalhar fora de casa para ajudar no orçamento doméstico adquire novas possibilidades de definição,

que se expressam de maneiras diferentes em cada camada social,

mas que só se viabilizam pela existência de emprego.

Nos anos 70,

a crescente urbanização e o ritmo acelerado da Industrialização configuram um momento de grande crescimento econômico,

favorável à incorporação de novos trabalhadores,

inclusive os do sexo feminino.

A sociedade brasileira passa por transformações de ordem econômica,

social e demográfica que repercutem consideravelmente sobre o nível e a composição interna da força de trabalho.

As taxas de crescimento econômico e os níveis de emprego aumentam.

O país consolida sua industrialização,

moderniza seu aparato produtivo e se torna mais urbano,

embora ao custo do aumento das desigualdades sociais e da concentração da renda.

Por outro lado,

profundas transformações nos padrões de comportamento e nos valores relativos ao papel social da mulher,

intensificadas pelo impacto dos movimentos feministas e pela presença feminina cada vez mais atuante nos espaços públicos,

facilitam a oferta de trabalhadoras.

A queda da fecundidade reduz o número de filhos por mulher,

sobretudo nas cidades e nas regiões mais desenvolvidas do país,

A expansão da escolaridade e o acesso das mulheres às universidades contribuem para este processo de transformação.

A consolidação de tantas mudanças nos padrões de comportamento é um dos fatores que explicariam a persistência da atividade feminina na década de 80,

teve como marca registrada a crise econômica,

Mas a divisão sexual do trabalho,

provocando a concentração das trabalhadoras em guetos ocupacionais que se expandiram apesar da crise econômica,

também pode ser apontada como uma das mais importantes razões para explicara persistência da atividade feminina nos anos analisados.

Esta hipótese começa a ser comprovada à medida em que os novos dados sobre o comportamento do mercado de trabalho brasileiro nos anos 80- que revelam a ocorrência de um intenso processo de terceirização da economia brasileira

Nos anos 80 o país assiste ao desencadear de uma aguda crise econômica,

que provoca elevadas taxas inflacionárias,

desemprego e deterioração da qualidade de vida dos trabalhadores,

modificando o quadro de crescimento da década anterior.

A recessão provoca alterações na distribuição da população economicamente ativa,

que se desloca dos setores primário e secundário da economia para oterciário,

que terá em toda essa década papel fundamental,

evitando maiores quedas no nível de emprego.

ANO 2

180 2 ,

SEMESTRE/94

A expansão do setor terciário

Marcado pela heterogeneidade,

o terciário abrigaria tanto atividades nãoorganizadas e de baixa produtividade,

quanto mais dinâmicas e modernas,

decorrentes da externalização de serviços industriais,

da diversificação do comércio e dos serviços pessoais,

da expansão das atividades bancárias e financeiras,

bem como de atividades decorrentes da atuação direta e indireta do setor público,

este último responsável por uma fatia considerável dos empregos gerados'.

Dentro do terciário,

o crescimento das ocupações no setor público foi marcante e tem sido apontada por vários autores como um importante mecanismo de ajuste do mercado de trabalho perante a crise econômica,

contribuindo para este processo a adoção pelo Estado de políticas compensatórias de emprego,

sobretudo nas esferas municipais e estaduais e em regiões pouco desenvolvidas.

Lacerda e Cacciamali 2 ,

enquanto as regiões desenvolvidas e sobretudo os setores industriais eram atingidos pela crise econômica,

o Nordeste e o Centro-Oeste tiveram expansão do emprego graças ao aumento das atividades terciárias,

sobretudo as do setor público.

Oliveira,

Porcaro e Jorge' confirmam que o processo de terceirização ocorrido no país nos anos 80 foi impulsionado principalmente pelo crescimento do emprego no setor público,

bem como pela ampliação dos serviços de consumo individual,

comércio estabelecido e ambulante,

atividades sociais e serviços financeiros e profissionais.

É neste quadro de transformações pelas quais vem passando o mercado de trabalho brasileiro que se pretende analisar o comportamento da força de trabalho feminina.

Contudo,

entender os movimentos de inserção das trabalhadoras no contexto mais global do mercado de trabalho não significa deixar de lado as especificidades do trabalho feminino,

que não pode ser analisado sem se levar em conta o papel que as mulheres ocupam na reprodução.

Os primeiros estudos sobre o tema,

preocupados em analisar a presença ou a ausência das mulheres do mercado sob o impacto dos fatores econômicos,

não levaram em conta o papel fundamental que a mulher exerce na família,

limitando o âmbito de seus resultados.

Mas atualmente existe consenso de que a necessidade e as possibilidades que a mulher tem de trabalhar fora de casa dependem tanto de fatores econômicos quanto da posição que ela ocupa na unidade familiar.

O Terciário.

um setor em crescimento no Brasil São Paulo em Perspectiva,

n2 3,

1992,

PACHECO,

Carlos A.

A Terceirizaçõo dos Anos 80 de tudo um pouco São Paulo em Perspectiva,

27-38,

OLIVEIRA,

Jane,

PORCARO,

Rosa M.

Angela.

Mudanças no Perfil de Trabalho e Rendimento no Brasil (mimeo),

1994.

3 LACERDA,

Guilherme N de e CACCIAMALI,

Maria C Processos de Ajustamento,

Emprego Público e Diferenciações Regionais dos Mercados de Trabalho.

São Paulo em Perspectiva,

3 Op.

E./94

A persistência de um modelo de família no qual cabem à mulher as responsabilidades domésticas e socializadoras determina a necessidade de uma constante articulação entre papéis familiares e profissionais.

A disponibilidade dos indivíduos do sexo feminino para o trabalho depende de uma complexa combinação de características pessoais,

como a idade e a escolaridade,

de outras relacionadas ã família,

como o estado civil e a presença de filhos,

como ainda de características da própria família,

como o ciclo de vida e a estrutura familiar.

Mas esses fatores se interrelacionam também com a condição econômica da família,

direcionando as mulheres em cada etapa da vida familiar para os afazeres domésticos ou para atividades econômicas dentro ou fora do lar.

Inúmeros trabalhos têm documentado os efeitos de fatores como idade,

estado civil e condição de maternidade,

tomados como indicadores da situação familiar,

na determinação das formas de participação feminina em atividades econômicas".

Têm sido menos exploradas,

as múltiplas possibilidades de conciliação entre as várias esferas definidas como de responsabilidade da mulher,

tendo em vista peculiaridades de cada mercado.

A comparação entre formas de participação e características pessoais e familiares das trabalhadoras,

em mercados de trabalho extremamente diferenciados,

permite avançar na compreensão dos mecanismos de absorção da força de trabalho feminina,

desvendando estratégias diversificadas de articulação entre família e trabalho,

presentes em uma e outra região.

Castro5 procura demonstrar,

comparando o trabalho de mulheres chefes de família,

esposas e filhas em duas áreas metropolitanas brasileiras que,

dependendo do tipo de organização da economia,

a relação família/mercado de trabalho tem um efeito específico na forma de inserção econômica das mulheres.

Em trabalho anterior,

oferecemos uma contribuição a esse debate,

através da comparação de dados referentes ao país e a duas de suas regiões,

São Paulo e Nordeste,

nas quais as mais agudas disparidades sócio-econômicas podem ser observadas,

com evidentes conseqüências sobre a incorporação das trabalhadoras'.

Neste trabalho pretendemos avançar nessa direção,

analisando dados sobre as trabalhadoras,

suas características familiares e suas formas de

Cristina.

Tendências da Força de Trabalho Feminina Brasileira nos Anos 70 e 80.

algumas comparações regionais São Paulo: FCC,

1989.

(Textos FCC n3.1),

BRUSCHINI,

Cristina O Trabalho da Mulher no Brasil.

tendências recentes In: SAFFIOTI,

H e MUNHOZ-VARGAS,

Monica (org.),

Mulher Brasileira é Assim Rio de Janeiro Rosa dos Tempos,

CASTRO,

Mary G..

Mulheres Chefes de Família,

Esposas e Filhas Pobres nos Mercados de Trabalho Metropolitanos (Regiões Metropolitanas de São Paulo e Salvador,

Associação Nacional de Estudos Populacionais ABEP,

Anais...,

OLIVEIRA,

Zuleica L.

A Mulher Trabalhadora no Estado do Rio de Janeiro (estatísticas em série...).

Trabalho produzido para o projeto Sistema Integrado de Estatísticas por Sexo e Cor,

sob a coordenação de Neuma Aguiar,

5 CASTRO,

Cristina.

Crescimento e Crise: trabalho das brasileiras,

Ciência e Cultura,

n2.3/4,

1990.

ANO 2 1

inserção em mercados de trabalho diferenciados,

através da comparação de informações para o país e duas de suas regiões mais díspares em termos de processos de desenvolvimento

O ambito da análise será ampliado para toda a década de 80,

através da observação de dados das PNADs 7 para os anos de 1981 e 1990,

complementados por informações obtidas através da PAIS ,

O aumento da presença feminina no mercado de trabalho

Os dados disponíveis para a década de 80 confirmam que persiste nesses anos o aumento da participação feminina no mercado de trabalho,

principalmente nas regiões urbanas.

Em 1990 o número de trabalhadoras brasileiras quase atinge a cifra dos 23 milhões,

Enquanto a atividade masculina,

cujos níveis são muito mais elevados,

mantém taxas estáveis de participação,

a feminina revela um constante aumento de incorporação ao mercado de trabalho,

como o indicam tanto suas taxas de atividade quanto o percentual de mulheres no conjunto de trabalhadores (Tabela 1).

Ainda que a atividade das mulheres tenha crescido também no campo,

onde a taxa feminina nacional de atividade alcança 36% no período analisado,

o incremento foi muito mais significativo na zona urbana,

graças a incorporação de quase sete milhões de novas trabalhadoras.

quando se comparam as regiões,

chama a atenção o intenso crescimento relativo do volume de trabalhadoras urbanas no Nordeste,

enquanto na região Sudeste o aumento percentual de trabalhadoras foi semelhante no campo e nas cidades.

Apesar do significativo e constante aumento,

a força de trabalho feminina global ainda não havia atingido até o início da década de 90,

em nenhuma das regiões observadas,

a marca de 40% do conjunto dos trabalhadores urbanos e 30% dos rurais,

parcela relativamente pequena para um contingente que representa a metade da população do país.

Características individuais e familiares das trabalhadoras

A participação dos trabalhadores no mercado brasileiro segundo a idade e a condição de sexo revela diferenças sensíveis entre homens e

IBGE.

Ministério do Trabalho 9 Embora apresente informações relativamente atualizadas,

o texto se ressente de algumas lacunas que não puderam ser preenchidas por não se ter ainda acesso tanto aos dados do Recenseamento Demográfico de 1991,

quanto àqueles que foram levantados pela PNAD de 1992.

A análise das Informações obtidas através destas duas amplas pesquisas nacionais teria possibilitado dispor tanto de informações para os primeiros anos da década de 90,

quanto de dados que são fundamentais para uma análise mais completa do trabalho feminino,

mas que não estão disponíveis nos demais levantamentos,

aqueles que se referem à relação entre estndo conjugal e condição de maternidade e a atividade econômica da mulher.

ESTUDOS FEMINISTAS 183 N E./94

sugerindo possíveis efeitos das responsabilidades familiares,

que atingem sobretudo as mulheres.

Os homens mantêm uma expressiva regularidade no trabalho e ampliam sua presença no mercado à medida em que vão atingindo a maturidade,

o ápice sendo a faixa de 30 a 40 anos,

quando cerca de 97% são ativos (Gráfico 1).

As mulheres,

costumam revelar taxas mais elevadas de participação até os 24 anos,

após o que haveria um certo refluxo,

motivado pela assunção de responsabilidades familiares.

No período considerado,

esta tendência sofre uma alteração considerável: enquanto os homens mantém a estabilidade que caracteriza sua participação no mercado por faixa etária,

as mulheres aumentam sua presença em todas as idades,

mas atingem participação mais elevada dos 30 aos 39 anos,

faixa etária na qual mais da metade delas trabalha,

o que constitui uma mudança bastante significativa no perfil da força de trabalho feminina.

Contudo,

quando se analisam as diferenças regionais,

observa-se que esta tendência se mantém apenas no Nordeste,

pois na região mais desenvolvida o pico da atividade feminina se mantém dos 20 aos 24 anos (Gráfico 2).

Esta tendência de maior absorção das mais velhas pelo mercado de trabalho nordestino é confirmada no segmento organizado do mercado de trabalho: embora praticamente a metade dos empregos arrolados pela PAIS de 1988 seja ocupada por pessoas que têm de 25 a 39 anos,

o percentual dos ocupados por mulheres mais velhas,

é mais elevado do que em outras regiões e do que os empregos masculinos nessa faixa de idade (Tabela 2).

Uma possível explicação para esse diferencial etário encontrado entre as trabalhadoras de uma e outra região,

e não entre os seus colegas do sexo oposto,

poderia ser encontrada nas estruturas regionais dos mercados de trabalho,

mais ou menos favoráveis à incorporação de trabalhadoras com responsabilidades familiares.

Ao contrário do que acontece com os trabalhadores,

a absorção das trabalhadoras em diferentes setores de atividade econômica é afetada por seu estado conjugal.

Enquanto a indústria emprega,

outros setores como serviços,

atividade sociais e administração pública tendem a favorecer o emprego de mulheres casadas,

É possível que o peso diferencial de cada um desses setores nos mercados regionais examinados,

mantendo tendência constatada para anos anteriores,

seja responsável pela maior absorção de jovens no Sudeste e mais velhas no Nordeste.

De fato,

dados mais recentes sobre a atividade segundo a posição na família mostram que,

enquanto as filhas trabalham mais no Sudeste,

as cônjuges o fazem mais no Nordeste (Gráfico 3).

A tendência de ampliação da atividade feminina mais madura na década de 80 encontra eco no considerável aumento do ingresso das

tO BRUSCHINI,

1989,

ANO 2

cônjuges no mercado de trabalho nessa década: enquanto 20% delas eram ativas em 1980,

sugerindo que atualmente as mulheres casadas e mais velhas são aquelas que se dispõem a enfrentar as dificuldades próprias à conciliação entre responsabilidades profissionais e familiares para se dedicar a uma atividade econômica de mercado.

Muitos autores" enfatizam que o ingresso acentuado das esposas no mercado de trabalho faz parte das estratégias das famílias brasileiras que,

empobrecidas pelas sucessivas crises econômicas,

mobilizam mais membros do grupo na busca de rendimentos complementares aos do chefe.

Contudo,

segundo dados publicados pelo IBGE,

a ampliação da atividade econômica das esposas não é provocada apenas pela pobreza,

mas é mais elevada nos níveis mais altos de renda,

Nas cidades,

em comparação a 23,3% daquelas que fazem parte de famílias cujos rendimentos são inferiores a 1/4 de salário 12 .

Por outro lado,

a contribuição das esposas ao rendimento familiar é considerável em qualquer região,

onde as perspectivas de encontrar atividades geradoras de rendimentos costumam ser mais promissoras,

levando cerca de 40% das cônjuges a colaborar com 10 a 30% da renda da família'3.

No que diz respeito ao estado civil das trabalhadoras

em geral mais jovens e preferidas pelos empregadores.

As casadas apresentam as taxas mais baixas,

seja pela discriminação encontrada no mercado,

seja por dificuldades advindas dos encargos familiares e domésticos,

agravadas pela falta de creches.

Apesar das dificuldades,

na década de 70 foi a mulher casada aquela que mais ingressou no mercado: enquanto 9,8% delas trabalhavam em 1970,

Mas é a presença de filhos o que mais interfere na participação feminina no mercado de trabalho.

A responsabilidade pela guarda,

cuidado e educação dos filhos na família e a insuficiência de equipamentos coletivos como as creches limitam a saída da mulher para o trabalho remunerado,

sobretudo se os rendimentos obtidos são insuficientes para cobrir custos com

OLIVEIRA,

Zuleical.

Crisis,

Situación Familiar y Trabajo Urbano In: AGUIAR,

Neuma (coord.),

Mujer Venezuela.

Nueva Sociedad/Dawn Mudar,

JATOBÁ,

Jorge.

A Família na Força de Trabalho.

Brasil Metropolitano,

Anais ..,

1990.

FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA- IBGE Anuário Estatístico do Brasil Rio de Janeiro: IBGE,

1992.

FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA

sistema de acompanhamento da situação sócio-econômica de crianças e adolescentes,

1981,

Rio de Janeiro: IBGE,

Departamento de Estatística e Indicadores Sociais,

1989,

ESTUDOS FEMINISTAS 185 N.

E./94

formas remuneradas de cuidado infantil.

Contudo,

quando a necessidade econômica é tão premente que inviabiliza o exercício da maternidade em tempo integral,

como nas famílias muito pobres ou nas chefiadas por mulheres,

outros arranjos como a rede de parentesco ou de vizinhança poderão ser acionados para olhar as crianças enquanto a mãe vai trabalhar.

O difícil equilíbrio entre atividades econômicas e familiares,

que se torna mais frágil ainda pela presença de crianças,

depende também do tipo de atividade econômica a absorver a trabalhadora.

Atividades formalizadas,

com horários regulares de trabalho e maior distanciamento entre a casa e o trabalho são fatores que dificultam a conciliação de responsabilidades.

A atividade informal,

na qual não há jornadas regulares de trabalho,

o trabalho domiciliar e o rural,

costumam facilitar o arranjo necessário entre família e trabalho,

embora não haja acesso a garantias trabalhistas.

Segundo dados disponíveis para 1980,

a atividade econômica feminina declina sensivelmente quando ela se torna mãe: nessa data,

enquanto quase 39% das brasileiras sem filhos trabalhavam fora,

esse número caía para menos de 30% quando elas se tornavam mães.

Mas a presença de filhos tem efeitos distintos sobre o trabalho feminino na cidade ou no campo,

assim como em regiões em níveis desiguais de desenvolvimento.

Na zona urbana,

a presença de um filho é um elemento muito mais constrangedor pelo tipo de atividade aí predominante,

pouco favorável à conciliação de papéis.

Na zona urbana brasileira,

a taxa de atividade feminina cai de 46% quando a mulher não tem filhos,

para cerca de 34% quando ela tem um filho.

Na zona rural,

embora as taxas de atividade sejam muito inferiores,

o efeito provocado pela presença de filhos não constitui uma limitação ao trabalho da mulher,

que mantém taxas muito parecidas tenha ou não filhos (16,4% para as não mães e 16% para as mães,

Efeitos semelhantes da maternidade sobre a atividade feminina podem ser constatados na comparação entre o Nordeste e São Paulo,

onde o peso da economia urbano-industrial é muito mais acentuado: enquanto a atividade das que não têm filhos era muito mais elevada em São Paulo (49%) do que no Nordeste (quase 30%),

essa diferença diminuía consideravelmente entre as mães (33% em São Paulo e 27% no Nordeste),

indicando tanto maiores oportunidades de emprego em São Paulo quanto uma economia mais formalizada.

A idade dos filhos também tem conseqüências sobre a participação econômica feminina.

Quando os filhos são pequenos,

as mães são as principais responsáveis por eles,

Segundo Campos,

Rosemberg e Ferreira 15 ,

As dificuldades para conciliar trabalho e família são maiores para as mães de filhos pequenos não só porque estes requerem maiores cuidados,

mas também em decorrência da inexistência de uma

15 CAMPOS,

Maria M ,

ROSEMBERG,

Fúlvia e FERREIRA,

Isabel M.

Paulo: Cortez Editora/Fundação Carlos Chagas,

1992.

ANO 2

"I 86

Creches e Pré-escolas no Brasil

política social adequada de atenção à criança na faixa de O a 6 anos.

Em 1985,

apenas 23,2% das crianças de O a 6 anos residindo em regiões metropolitanas estavam freqüentando creches ou pré-escolas.

Quando os filhos crescem e as mães podem ser substituídas ou pelo menos ajudadas pela escola,

sua disponibilidade para o trabalho volta a aumentar.

Cerca de 41% das mães de filhos maiores de sete anos trabalhavam em 1980,

superando a taxa de atividade das que não eram mães.

O efeito da presença de filhos varia em função dos níveis de rendimento do grupo familiar.

Para as mulheres de renda mais baixa,

a atividade mantém aproximadamente os mesmos níveis,

caso ela seja ou não mãe (cerca de 18%) e aumenta quando ela tem mais de um filho (20%),

revelando que a premência econômica supera os empecilhos decorrentes da maternidade.

Nas faixas de renda mais elevada,

as taxas de atividade são muito superiores quando a mulher não tem filhos (55%),

caem abruptamente quando ela se torna mãe (38,6%) e diminuem mais ainda quando ela tem mais de um filho (30,5%).

As baixas taxas de atividade entre as mais pobres,

não significam que trabalhem menos.

Provavelmente exercem atividades mais informais,

que permanecem invisíveis nas estatísticas oficiais.

No que diz respeito à educação das trabalhadoras,

a intensa associação entre escolaridade e participação das mulheres no mercado de trabalho.

As mais instruídas são as que mais trabalham fora de casa,

porque podem ter atividades mais gratificantes ou bem remuneradas,

que compensam os gastos com a infraestrutura doméstica necessária para suprir sua saída do lar.

As informações para os anos analisados (Tabela 4) mostram que essa tendência,

observada para os anos anteriores,

pois as mais instruídas cada vez trabalham mais: em 90,

cerca de 64% das que têm nove anos ou mais de escolaridade são ativas enquanto,

a taxa de atividade das que não têm instrução é de 28% e a atividade feminina global não ultrapassa os 39,2%.

A atividade econômica feminina,

aumenta em todos os níveis de escolaridade.

A comparação entre as regiões mais uma vez indica a presença de mercados de trabalho diferenciados: a atividade das mais escolarizadas é maior no Nordeste,

das que dispõem apenas de escolaridade média,

as que mais trabalham são as do Sudeste,

provavelmente em decorrência do maior peso das ocupações administrativas nessa região.

A associação entre a escolaridade e o trabalho feminino é tão intensa que anula os efeitos do estado conjugal: entre mulheres com mais de doze anos de estudo,

são semelhantes entre casadas e solteiras.

Um inegável crescimento tem levado,

um número cada vez maior de mulheres ao mercado de trabalho,

tornando cada vez mais visível a participação econômica feminina.

Contudo,

as mulheres ainda estão longe de superar todas as suas dificuldades.

No que tange à conciliação entre as responsabilidades familiares que socialmente lhe foram atribuídas e o trabalho,

as contradições se tornam tanto mais agudas quanto mais estruturadas ESTUDOS FEMINISTAS 1 87

E./94

sujeitando as trabalhadoras a regras mais rigorosas como horários e deslocamentos casa/trabalho.

No entanto,

são estas em geral as ocupações que costumam obter melhores rendimentos,

além de assegurarás trabalhadoras certos direitos constitucionais que lhes permitem usufruir de uma condição mais favorável.

No que diz respeito à sua inserção no mercado de trabalho,

não se pode afirmar que as trabalhadoras tenham alcançado uma situação de igualdade em relação aos colegas do outro sexo,

A situação das trabalhadoras no mercado de trabalho Os estudos sobre o trabalho feminino têm mostrado que as trabalhadoras concentram-se no setor terciário da economia e,

onde se encontram alguns dos empregos de mais baixo prestígio e remuneração.

Nos anos 80,

a distribuição dos trabalhadores segundo o setor de atividade revela que as mulheres continuam concentradas sobretudo na prestação de serviços,

no comércio

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