PDF- -TRABALHO DOCENTE ALIENADO - Educação, Cultura Escolar e - O TRABALHO E PROLETARIZAÇÃO DOCENTE

LHO E PROLETARIZAÇÃO DOCENTE...

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O TRABALHO E PROLETARIZAÇÃO DOCENTE Hélio Clemente Fernandes1 Paulino José Orso2 RESUMO: Esta comunicação visa apresentar algumas reflexões preliminares sobre a atual condição do trabalho docente.

A finalidade é analisar as transformações no mundo do trabalho e suas implicações para a educação e,

O pano de fundo são os embates históricos travados entre o Capital e o Trabalho.

Neste processo de contradição (Capital X trabalho),

vem ocorrendo muitas mutações no mundo do trabalho,

num período marcado pelas chamadas mundialização,

transnacionalização e financeirização dos capitais,

que certamente reconfiguram o universo produtivo,

Alguns autores envolvidos com esta problemática chegam até falar em ‘fim do trabalho’.

De fato,

o trabalho vem sofrendo sucessivas derrotas frente ao avanço do capital e sua lógica de concentração de riquezas.

Entretanto,

o que está em questão não é propriamente o trabalho,

que é uma condição existencial para o homem,

que vem sofrendo um processo de precarização cada vez maior.

Contraditoriamente,

pode-se dizer que “o trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão.

O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens”.

Nesta perspectiva,

procuramos analisar a especificidade das condições do trabalho docente e verificar os efeitos das mudanças do mundo do trabalho no magistério,

tendo em vista que o professor também é um trabalhador.

Diante disso,

procuramos analisar até que ponto é ou não é válida a utilização dos termos proletarização e precarização para caracterizar a condição enfrentada pelos trabalhadores em Educação.

A partir daí busca-se entender os limites e as possibilidades do trabalho docente e verificar em que condições é possível contribuir para a superação das atuais condições e alcançar a emancipação humana.

PALAVRAS-CHAVES: Organização do trabalho,

trabalho docente e lutas de classes

Professor da rede Estadual de Educação e Mestrando em Educação pela Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE).

Membro do grupo de estudos do HISTEDOPR.

( [email protected] ) 2 Doutor em História e Filosofia da Educação pela UNICAMP,

Docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE – líder do HISTEDOPR.

A situação do trabalho na atualidade.

Estudar as condições em que se encontra o trabalho na contemporaneidade é indispensável para quem busca compreender a escola que tem sua origem alicerçada no mundo do trabalho3.

Por conseguinte,

se a escola encontra-se vinculada à sociedade fundamentada no trabalho e deve responder aos anseios desta,

nada mais natural supor que as transformações ocorridas no mundo do trabalho implicam em conseqüências para o trabalho docente,

ainda que isto não ocorra de modo mecânico ou definitivo.

Sendo assim,

será com o objetivo de apresentar algumas reflexões preliminares sobre a atual condição do trabalho docente que iremos analisar qual a situação do trabalho num contexto mais amplo,

Para desenvolver esta tarefa nos apropriamos dos escritos de Ricardo Antunes,

onde em seu artigo sobre a “Nueva Morfologia del Trabajo” afirma que passamos da empresa “Taylorista-Fordista” para um modo de organização chamado “Acumulação flexível”.

O trabalho,

O êxito desta empreita deve-se ao desenvolvimento da maquinaria técnicocientífica-informacional e atualmente digital.

Com a digitalização de nossa época a classe trabalhadora foi fragmentada ainda mais e a conseqüência disso pode-se perceber na “fragilização” das organizações sindicais.

Isto,

colocou o problema de como organizar um sindicato numa empresa que tem seus trabalhadores distribuídos em várias fábricas,

Em entrevista a Revista Pampa,

em 03 de dezembro de 2007 em Buenos Aires,

Antunes faz a seguinte provocação: “Una cosa es la organización sindical em una fábrica que tiene diez mil trabajadores juntos

outra cosa es um sindicato organizado de una empresa que tiene veinte fábricas con cincuenta,

cien o doscientos trabajadores en cada una” (2007,

Acrescenta o referido autor que as empresas criaram uma situação

Para uma melhor compreensão desta relação entre escola e trabalho recomendamos a leitura de Mariano Fernández Enguita: A face oculta da escola: educação e trabalho no capitalismo,

Porto Alegre: Artes Médicas,

1989.

Após uma atenta análise histórica e filosófica do mundo do trabalho Enguita situa a escola dentro do contexto de desenvolvimento do Capitalismo: “Mas a proliferação da indústria iria exigir um novo tipo de trabalhador.

Já não bastaria que fosse piedoso e resignado,

embora isto continuasse sendo conveniente e necessário.

A partir de agora,

devia aceitar trabalhar para outro e fazê-lo nas condições que este outro lhe impusesse.

Se os meios para dobrar os adultos iam ser a fome,

a infância (os adultos das gerações seguintes) oferecia a vantagem de poder ser modelada desde o princípio de acordo com as necessidades da nova ordem capitalista e industrial,

com as novas relações de produção e os novos processos de trabalho.

O instrumento idôneo era a escola” (ENGUITA,

1989,

113).

onde todos são colaboradores4.

Com esta estratégia cada trabalhador vigia cada trabalhador sem a necessidade do capitalista ter que empregar mais um ou uns “líderes despóticos”.

Deste modo,

com menos custos e de forma mais eficaz mascara-se a vigilância.

Segundo Antunes (2007,

do “gorila amestrado” que só faz o que lhe ordenam passa-se ao trabalhador flexível,

cobrado nos resultados e incentivado na sua dimensão intelectual e cognitiva,

sempre dentro dos interesses do capital.

Vale ressaltar,

que a ‘produção flexível’,

produz de acordo com a demanda e desta maneira consegue evitar a crise da superprodução.

O diabólico nisto tudo é que a empresa passa a ter nesta perspectiva um núcleo estável de trabalhadores e quando se expande terceiriza e quarteiriza a produção.

No entanto,

quando o mercado se retrai ela exclui brutalmente os seus trabalhadores.

Desta maneira,

é fácil entender porque empresas de terceirização são anti-sindicais (Ibidem,).

Giovane Alves,

em seus estudos sobre superexploração do trabalho e luta de classes nos anos 80,

trata do toyotismo que no Brasil não conseguiu consolidar a hegemonia do capital na produção,

não conseguiu comprometer os operários aos valores capitalistas.

De acordo com Alves o Toyotismo não resolveu os problemas da superexploração do trabalho e os antagonismos das classes (2000,

158).

O autor esclarece que o objetivo do Toyotismo é o de realizar a “subsunção da subjetividade operária à lógica do capital”,

como estratégias para garantir este intento o Toyotismo busca anular o antagonismo de classe na produção.

Segundo Alves,

a organização da classe operária foi dificultada pela exploração da mais-valia do “Capitalismo tardio”5 no Brasil.

Quanto a isso,

Oliveira (citado por Alves,

porém não se aumentou o salário real.

Ou seja,

não se nega que o crescimento industrial sob o capitalismo retardatário criou empregos,

esta aceleração do desenvolvimento industrial que se seguiu nos anos 60 e 70 também aumentou o distanciamento dos rendimentos do capital em relação aos rendimentos do trabalho.

Outras empresas vão mais além e seus trabalhadores são denominados de “sócios”.

Por “Capitalismo tardio” Alves entende: A presença da superexploração do trabalho vincula-se,

à constituição retardatária do capitalismo industrial no Brasil.

Enquanto o processo de constituição do capitalismo clássico implicava percorrer a trajetória do artesanato,

manufatura e da grande indústria (o que indicava um processo de constituição histórica da subsunção do trabalho ao capital,

permeado por lutas de classes),

a constituição do capitalismo industrial no Brasil deu-se no interior de um contexto sócio-histórico mundial em que predominava,

no plano do capitalismo central,

2000,

159).

Alves conclui que a Revolução Tecnológica6 aumentou o abismo entre lucratividade do capital e os rendimentos do trabalho (Idem,

160).

Por conseguinte,

a falta de organização sindical no Brasil favoreceu a máxima exploração do trabalho: É a debilidade histórica da classe operária,

em sua inserção político-sindical,

que possibilita maior potencial de apropriação de valor por meio das novas tecnologias,

tornando viável parte dos excedentes internos para a acumulação do capital no país.

O que denominamos superexploração do trabalho é um dos traços histórico-estruturais do capitalismo industrial no Brasil (ALVES,

2000,

161).

Ricardo Antunes (2005,

fim da centralidade ou desconstrução do trabalho,

faz uma retomada dos propositores do fim do trabalho.

Denuncia as conseqüências da forma flexibilizada de acumulação capitalista no mundo do trabalho.

Afirma que ocorreu: 1) A desconcentração do espaço físico produtivo em redução do trabalho fabril

aumento da terceirização do trabalho

Apesar de toda esta realidade contrária a valorização do trabalhador,

Antunes defende a centralidade do trabalho diante da propaganda ideológica,

pois os anúncios futurológicos onde o trabalho seria substituído pela ciência não se realizaram (2005,

Conclui-se assim,

que no limite o capital não pode ser reproduzido sem o trabalho vivo.

Neste sentido Antunes afirma: Outra,

eliminando completamente o trabalho vivo,

o capital possa continuar se reproduzindo.

A redução do proletariado estável,

herdeiro do taylorismo/fordismo,

a ampliação do trabalho intelectual no interior das plantas produtivas modernas e o aumento generalizado das 6

A grosso modo pode-se afirmar que a revolução tecnológica favoreceu a extração da mais-valia relativa,

absolutizando ainda mais a concentração de capital,

Entendemos por mais-valia relativa,

quando o capitalismo consegue aumentar a sua produção por meio da utilização de recursos tecnológicos enquanto a mais valia-absoluta advém do aumento da produção por meio do aumento da jornada do trabalhador.

Uma explicação mais detalhada sobre estes conceitos pode ser encontrada no Dicionário do pensamento marxista/Tom Bottomore,

Laurence Harris,

Kiernan,

Ralph Miliband,

Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora,

2001,

formas de trabalho precarizado,

desenvolvidos intensamente na “era da empresa flexível” e da desverticalização produtiva,

são fortes exemplos da vigência da lei do valor,

uma vez que é a própria forma assumida pela centralidade do trabalho abstrato que produz as formas de descentramento do trabalho,

presentes na expansão monumental do desemprego estrutural (ANTUNES,

2005,

Na compreensão do autor (2005,

o aumento da precarização esta ligada à expansão do trabalho dotado de maior dimensão intelectual.

A expansão da atividade intelectual na produção tem levado o trabalho morto dominar o trabalho vivo.

Ou seja,

a transferência do saber do homem para a máquina,

dentro da lógica de uma “empresa enxuta” tem aumentado significativamente a alienação do trabalho.

Após apontar a maior interação entre o trabalho produtivo e improdutivo,

as relações entre o saber e o fazer,

entre as atividade fabris e de serviços,

Antunes afirma que para além das “aparências” o trabalho continua central na medida que a sociedade continua centrada no trabalho: Procuramos,

mostrar ainda que foi a própria forma assumida pela sociedade do trabalho abstrato que possibilitou,

por meio da constituição de uma massa de trabalhadores expulsos do processo produtivo,

a aparência da sociedade fundada no descentramento da categoria trabalho,

na perda de centralidade do trabalho no mundo contemporâneo.

que o entendimento das mutações em curso no mundo do trabalho nos obriga a ir além das aparências.

O que recoloca a questão da crise da sociedade do trabalho.

E também recoloca a questão e a atualidade da centralidade do trabalho hoje (ANTUNES,

2005,

Em seu livro “Os Sentidos do Trabalho: Ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho”,

Antunes ao escrever sobre “A Crise do Movimento Operário e a Centralidade do Trabalho Hoje”,

chama a atenção para a tragédia do capital em seu embate com o trabalho,

em última análise destaca que o capital não pode sobrevier sem o trabalho.

Nas suas palavras: “Mas a tragédia do capital é que ele não pode suprimir definitivamente o trabalho vivo,

eliminar a classe trabalhadora” (ANTUNES,

1999,

207).

Ao utilizar-se do método marxista Ricardo Antunes refuta os que preconizam o fim do trabalho.

Equívocos desta natureza ocorrem e dentre outras explicações a que melhor esclarece,

a questão do “fetichismo da mercadoria”,

que na medida em que a base da produção está assentada na alienação da força de trabalho,

o trabalho também coisifica o homem.

As relações entre “mercadorias” ganham vida e a humanidade dos homens fica relegada a um segundo plano em detrimento da lógica do capital.

Este alerta já há muito foi apresentado por Marx.

(1988,

O fato é que o homem é quem deveria reger as mercadorias,

entretanto o contrário é o que acontece7.

Contudo,

a mercadorização é própria da sociedade capitalista e,

não dá para o homem se emancipar sendo o trabalho alienado.

Os limites e as possibilidades do trabalho docente

Já procuramos demonstrar até aqui a realidade na qual o trabalho docente está inserido,

onde a precarização do trabalho diante da ‘acumulação flexível’ é dominante e suas conseqüências inevitáveis para a educação – o capital tomou conta da vida,

penetra em todos os seus espaços.

Uma vez que o trabalho docente está ligado à educação é fundamental questionar sobre a possibilidade ou não de fugir desta lógica de mercado.

Dito de outro modo,

trata-se de questionar se é possível uma “educação para além do capital”8.

Entretanto,

uma coisa é viver numa sociedade da mercadoria,

Outra coisa é buscar compreendê-la e,

Marx,

nos alerta que os homens são o que fazem e como fazem.

Isto é,

para se entender como é que os homens pensam é necessário ver como se organizam e produzem a sua vida: A produção das idéias,

da consciência está a princípio diretamente entrelaçada com a atividade material e o intercambio material dos homens,

O representar,

o intercambio espiritual dos homens aparecem aqui ainda como reflexo direto do seu comportamento material (MARX,

Os apelos da sociedade capitalista são demasiadamente fortes.

Sua complexidade tem levado muitos trabalhadores docentes,

a fazerem a defesa do sistema.

Não são poucos os professores que não se reconhecem enquanto trabalhadores e sem se dar conta trabalham contra eles mesmos enquanto classe trabalhadora.

Contraditoriamente,

reproduzem com o seu fazer pedagógico o sistema destrutivo do capital.

Este limite é provocador.

Discussões em torno da possibilidade da 7

Uma leitura atenta sobre a Mercadoria em Marx em sua obra o capital,

nos levará a entender que a própria vida humana passa a ser uma mercadoria no capitalismo.

Tem-se assim,

A vida de valor fim,

para o qual tudo deveria convergir,

sendo descartada quando não favorecer a lógica acumulativa de bens do capital.

muito tem contribuído para a discussão,

Segundo ele a sobrevivência da humanidade depende de uma prática educacional que rompa com o capital: “Porque hoje está em jogo nada menos do que a própria sobrevivência da humanidade.

Nenhuma prática não educacional formal pode extinguir a validade e o poder duradouros de tais influências”(MÉSZÁROS,

2007,

criação da contra hegemonia tornou-se altamente necessário.

Caso contrário,

a usurpação da capacidade reflexiva do gênero humano,

irá empurrar à todos para o plano da sobrevivência

e o mais forte acaba com o mais fraco.

Orso,

nos interpela “sobre o papel da educação na sociedade,

se ela apenas reproduz a sociedade em que está inserida ou se ela é ou pode ser revolucionária a ponto de transformar a realidade” (2008,

Estamos cientes que a transformação da sociedade não pode ser só idéia.

Não basta idealizar é preciso também a prática.

Ou seja,

a escola trabalha com mediações da sociedade e por isso acompanha esta lógica societal.

Neste sentido,

entendemos conforme Orso “que quem acredita na educação luta para transformar a sociedade” (2008,

Sendo assim,

não basta reclamar da escola,

a luta do professor deve ir para além da escola.

Os problemas que a escola enfrenta estão muito além dos espaços físicos nos quais ela se encontra.

Deste modo entendemos,

que não adianta ficarmos procurando culpados pelo fracasso escolar.

Penalizar a escola,

pessoas em particular por aquilo que não da certo é um grande equívoco.

Contudo,

esta é uma estratégia da ideologia capitalista para permanecer viva e atuante.

Após analisar os “Projetos Integrantes” do PROEM da SEED do Paraná,

Deitos constatou que: Em grande medida,

no decorrer das justificativas,

que a formação dos professores é colocada como fator decisivo das dificuldades e da falta de qualidade no ensino.

Portanto,

os fatores intra-escolares estariam sendo colocados como determinantes das deficiências e mazelas do ensino em relação às exigências econômicas e sociais,

o problema estaria na escola e não no conjunto das relações sociais (2000,

Mas afinal,

qual é o poder que a educação possui

? Precisamos fugir do equívoco de afirmar que ela pode tudo10,

porém a afirmação que ela nada pode a aniquila e também é irreal.

A educação tem o seu poder.

Este é um fato inconteste.

Ela atua no nível das consciências.

“Se convencemos os outros que nossa luta é justa é mais fácil fazer-nos seguir do que puxar,

É preciso questionar deste modo todo e qualquer projeto de PDE ou não,

que visam dar conta dos problemas escola – entre eles o da indisciplina

sem ligação com o todo social em que esta inserida a escola.

Constituiu-se em chavão a frase: “A educação transforma a vida das pessoas”.

Logo,

o estudo deve ser diuturno para que possamos entender o meio no qual estamos inseridos e assim lutar melhor.

Segundo Orso,

“a educação é a forma como a própria sociedade prepara seus membros para viverem nela mesma”.

acrescenta: “para compreender a educação precisamos compreender a sociedade” (2008,

No entendimento deste autor,

a educação tende a refletir a sociedade capitalista que a produziu.

O objetivo da educação formal é o de disciplinar,

Isto ocorre porque o capital se perpetua devido a alienação da força de trabalho e da consciência alienada12 (Idem,

Numa sociedade onde o homem explora o homem deve-se criar mecanismos para naturalizar esta relação.

Contudo,

numa sociedade onde o domínio do saber está nas mãos da elite,

como entender a necessidade de alfabetizar milhões de seres humanos,

visto que isto os leva a conquistar o mínimo de autonomia e assim saírem de seu estado vegetativo,

ainda que isto seja insuficiente para torná-los livres

em princípio não há problemas algum na universalização da escola,

desde que ela não coloque em risco a propriedade privada.

Não obstante,

a extensão da educação a todos dependerá da pressão e da exigência da sociedade organizada (ORSO,2008,

No entendimento de Orso é preciso percebermos que o capitalismo é inviável para o ser humano e assim destruir as promessas burguesas para desencadearmos novas formas de viver socialmente baseados no coletivo,

Ao escrever sobre “A Comuna de Paris e as questões sociais”,

aponta para um caminho de superação da propriedade privada,

das lutas de classe e do Estado.

Isto se dá por meio da recuperação das lições da história: As pessoas,

as tendências e os partidos que lutam pela transformação devem abdicar da competição e,

como aconteceu na Comuna de Paris,

apesar das diferenças dos lutadores,

devem construir uma unidade em torno do essencial – a superação das relações de produção fundadas na propriedade privada que,

no momento apresenta-se sob signo do capitalismo,

a destruição das classes sociais e do Estado (ORSO,

2007,

Sem rodeios a condição apresentada por Orso para que o homem se desenvolva integralmente,

é o rompimento com o capital,

diz ele: “não basta promover reformas é preciso acabar com o modo de produção capitalista,

Aleida Guevara durante a Sétima Jornada de Agroecologia na cidade de Cascavel,

que ocorreu entre os dias 23 e 26 de Julho de 2008.

recomenda-se a leitura de: MARX,

Karl: Manuscritos Econômicos-Filosóficos.

Lisboa: Edições 70 (parte final do primeiro manuscrito: “O trabalho alienado”),

onde podemos perceber que relações de trabalho alienado requerem uma sociedade alienada.

sociedade de classes e com o Estado” (2008,

No capitalismo não há espaço para o homem que não dá lucro,

A inversão de valores tornou o homem valor fim em um valor meio,

numa mercadoria em vista do lucro.

se entendemos que emancipar significa estar acima,

ter o controle da própria vida,

onde o trabalho passa a ser sinônimo de dignidade,

de vida então somos forçados a concordar com a afirmação de Orso.

Ou seja,

a sociedade nos coloca uma infinidade de problemas sociais que se não forem enfrentados adequadamente aprofundam-se cada vez mais.

Para resolvê-los talvez seja útil extrair as lições da Comuna de Paris,

levantou os ideais que não deixarão de se impor até que a classe trabalhadora de fato se liberte.

Portanto,

se quisermos eliminar os problemas sociais não basta combater a corrupção,

que aliás é inerente ao capitalismo,

nem aumentar a repressão e construir mais prisões

não basta tornar o Estado mais transparente,

Ao contrário é preciso fazer como fizeram os comunardos quando realizaram a primeira revolução proletária (ORSO,

2007,

Nos Manuscritos Econômicos Filosóficos Marx (2008,

Após criticar a economia política que assegura como fato histórico o que deveria elucidar,

Marx (Idem,

Isto é,

mais o trabalhador desqualifica o seu trabalho.

É a desvalorização do mundo do trabalho na proporção inversa do aumento do mundo dos objetos.

Não há espaços para a ilusão.

Pelo trabalho o homem se nega.

Aquilo que deveria ser para ele um deleite torna-se uma abrigação.

Segundo Marx,

de nada adianta aumentar o salário do trabalhador.

É a lógica do capital que deve ser quebrada.

Por mais que se aumente o salário dos professores-trabalhadores,

estes continuam submissos à profissão,

um pouco melhor remunerados: Um aumento de salários impostos (desprezando outras dificuldades,

e especialmente a de que uma anomalia dessas só poderia ser mantida pela força) não passaria de uma remuneração melhor de escravos,

seja para o trabalhador seja para o trabalho,

seu significado e valor (MARX,

2008,

O professor é aquele que prepara os futuros trabalhadores para que “gentilmente” alienem sua força de trabalho.

O professor precisa ter consciência disso.

Pois,

somente deste modo terá a possibilidade de negar a sociedade do capital nos

momentos em que isto é possível.

No limite,

a escola reproduz uma “sociedade doente”,

pois um trabalho alienado requer uma sociedade com todos os seus aparatos institucionais alienados e alienantes13.

Aos dominantes não interessa uma educação que emancipe os filhos da classe trabalhadora.

Daí a sugestão de Marx,

para derradeira redenção da educação e do trabalho docente: E vossa educação não é também determinada pela sociedade,

pelas condições sociais em que educais vossos filhos,

pela intervenção direta ou indireta da sociedade,

? Os comunistas não inventaram essa intromissão da sociedade na educação,

apenas mudam seu caráter e arrancam a educação à influência da classe dominante (K.

MARX,

ENGELS,

1987,

Portanto,

quem acredita na educação deve lutar pela transformação da sociedade,

Uma escola emancipada pressupõe a emancipação da sociedade.

A escola e os professores estão interligados as lutas de classe.

Não se pode falar da escola abstratamente e nem tampouco do professor.

Estes somente podem ser compreendidos nas múltiplas relações que se estabelecem entre escola e sociedade,

tendo estas relações por pressuposto,

passamos para a análise da situação do trabalho docente na atualidade e verificar em que medida este sofre com a precarização/pauperização do trabalho num contexto de globalização econômica.

Proletarização ou precarização do trabalho docente no Brasil.

O professor é um proletário ou um trabalhador

? Não seria mais apropriado enquadrá-lo como um “semi-trabalhador”

? Estas são algumas indagações que têm nos incomodado na realização deste estudo.

Longe,

da pretensão de dar uma resposta em absoluto,

buscamos fornecer alguns elementos que possam ajudar a clarear estas interrogações.

Proletário vem de prole,

aquele que não tem outra riqueza senão a sua prole,

seus filhos e precisa vender sua força de trabalho para poder sobreviver.

Então,

se o proletário é todo aquele que trabalha o mês inteiro para receber seu salário,

entendemos que a classe proletária é a classe que vive do trabalho.

Deste

Marx exemplifica isto,

quando escreve sobre a Mercadoria em sua obra o Capital: “O reflexo religioso do mundo real somente pode desaparecer quando as circunstâncias cotidianas,

representarem para os homens relações transparentes e racionais entre si e com a natureza.

A figura do processo social da vida,

do processo da produção material apenas se desprenderá do seu místico véu nebuloso quando,

como produto de homens livremente socializados,

ela ficar sob seu controle consciente e planejado” (MARX,

1985,

não há inconveniente algum em afirmar que os professores fazem parte da classe trabalhadora e que,

Porém,

Sérgio Lessa,

ao diferenciar o trabalho material (ação do homem sobre a natureza) e o trabalho imaterial (ação humana descolada da produção material) ou quando distingue o trabalho produtivo (transformação da natureza tendo em vista a exploração da mais-valia) de trabalho improdutivo (professor,

que apesar de não gerar um produto e nem transformar a natureza contribui para a acumulação capitalista ao ser explorado nas suas atividades),

afirma qu

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