PDF- El legado feminista de John -Karl Marx como John Dewey - Centro de Estudos de Dewey e - O USO RORTYANO DE DEWEY

ORTYANO DE DEWEY...

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O USO RORTYANO DE DEWEY James Campbell – Universidade de Toledo (EUA) Tradução: Heraldo Aparecido Silva / UFPI “Aqueles que hoje defendem o ‘platonismo’ repudiam metade do que Platão disse...” Richard Rorty

Em seus dois recentes livros,

Philosophy and the Mirror of Nature e Consequences of Pragmatismi,

Richard Rorty fez muito para compelir seus colegas filósofos a repensar as direções de seu trabalho e focalizar novamente sua atenção sobre a tradição pragmatista americana.

Embora ambas as realizações sejam da maior importância,

o modo como ele consuma a última tarefa suscita em minha mente duas hesitações gerais.

A primeira delas tem a ver com o uso que Rorty faz do termo ‘pragmatismo’

com seu uso do trabalho de John Dewey.

O sentido do termo ‘pragmatismo’ que Rorty está usando inclui os seguintes aspectos:

a assunção que “não há diferença epistemológica entre a verdade sobre o que deve ser e a verdade sobre o que é,

nem qualquer diferença metafísica entre fatos e valores,

nem qualquer diferença entre moralidade e ciência”

“a doutrina segundo a qual não deve haver limitações ao inquérito,

exceto as de ordem conversacional ...” (CP-162-165).

Embora esse não seja todo o sentido do pragmatismo histórico é,

contínuo com alguns dos vários

ramos no interior desse amplo movimento

e o conteúdo da caracterização de Rorty não é James Campbell é Professor Assistente de Filosofia na Universidade de Toledo (EUA) e autor de vários artigos nas áreas de filosofia americana e pensamento político e social.

a fonte primária das minhas objeções.

Meus escrúpulos estão mais centralmente relacionados às suas freqüentes asserções que “os pragmatistas negam isso” ou que “os pragmatistas devem asseverar que”.

Tenho escrúpulos aqui porque a postura sugerida por Rorty é,

com freqüência tão não-pragmática,

pelo menos no sentido histórico,

que sou levado a interrogar-me sobre quem são esses pragmatistas.

Se abordarmos a compreensão rortyana de ‘pragmatismo’,

em termos dos indivíduos que ele considera pragmatistas,

constataremos que seu foco recai sobre os dois “grandes pragmatistas” – James e Dewey – (CP xvii).

Entretanto,

o alcance de sua discussão é muito mais amplo.

Rorty inclui a si próprio como pragmatista (cf.

CP xlv)

cuja “contribuição ao pragmatismo foi meramente ter dado-lhe um nome,

e ter estimulado James” (CP 161).

Mead e C.

Lewis,

não são pragmatistas de acordo com Rorty

assim como Nietzsche e outros.

Afinal de contas,

não estou certo que Rorty esteja trabalhando com uma noção de ‘pragmatismo’ suficientemente contínua com o pragmatismo histórico para prevenir sérias confusões

e para que sua acepção de pragmatismo ser aceita precisaríamos adotar algum novo termo para descrever o pragmatismo histórico – talvez algum termo “que seja feio o bastante para estar a salvo de raptores.”ii Por mais interessante que esta questão seja,

quero deixar a investigação sobre o sentido rortyano de pragmatismo para outra ocasião e me concentrar aqui sobre seu uso de Dewey.

Embora James e Dewey sejam os “grandes pragmatistas” de Rorty,

Dewey é quem realmente – junto com Wittgenstein e Heideggeriii – é o herói de Rorty em seu mais recente trabalho.

Neste ensaio,

explorarei a apresentação que Rorty faz da filosofia de Dewey e sua alegação que o trabalho de Dewey é melhor visto quando conduzido na direção que ele sugere.

Enfatizarei nessa abordagem a seletiva leitura rortyana de Dewey para realçar as partes da posição filosófica de Dewey que não aparecem no quadro que Rorty oferece.

Iniciarei com uma breve indicação do que acredito figurar no quadro de Rorty,

começando com sua discussão sobre nossa situação acadêmica contemporânea.

A filosofia profissional,

Rorty diz,

se tornou pretensiosa e arrogante.

Muito desta inflada auto-avaliação resulta das convicções dos filósofos de que,

chaves para a legitimidade conceitual e,

para a respeitabilidade intelectual.

Não surpreendentemente,

compartilham essa visão – um fato que interpretamos como evidência adicional de nossa própria pureza.

nos distanciamos mais da ampla cultura do mundo exterior à filosofia (estritamente interpretada).

Rorty,

está preocupado com tais aspectos da situação filosófica contemporânea.

Rorty vê a futilidade de uma estreita concentração em torno do que Dewey chamou de “os problemas dos filósofos”iv,

por uma reconstrução para provocar uma filosofia nova e melhor.

Porém,

pois o resto da filosofia de Dewey não aparece no quadro de Rorty.

Para reconstruir nossas estruturas intelectuais e sociais,

no lugar do clamor de Dewey por crítica e avaliação Rorty clama por edificação.

Em vez do clamor de Dewey por “um método,

para lidar com os problemas do homem”v,

Rorty clama pela conversação.

no lugar do clamor de Dewey pela ação social dirigida às tentativas de melhorar os males sociais críticos,

Rorty clama pelo jogo.

É este outro lado da filosofia de Dewey – omitido por Rorty – que,

contém seus elementos mais vitais: o clamor pela crítica,

pela avaliação e pelo trabalho,

para fazer de nossa situação coletiva algo que ofereça a todos a mais completa experiência possível.

II Antes de discorrer amplamente sobre os pontos mais críticos,

deixe-me desenvolver o ponto em comum entre Rorty e Dewey.

A crítica de Rorty à profissão contemporânea tem muitas similaridades com a crítica pregressa de Dewey.

Permita-me considerar cinco.

A primeira das similaridades de Rorty em relação a Dewey é sua crença que é necessário minar a pretensão da filosofia profissional,

questionar sua inflada autoavaliação.

Embora hoje a reivindicação dos filósofos por primazia seja bastante diferente do que era na época de Dewey – quando muitos filósofos alegavam ter um acesso especial ao Ser ou a Realidadevi – o ataque de Rorty é similar.

Ele nega que os filósofos tenham seja “uma demanda mais importante à atenção dos outros,

especial para “julgar outras áreas da cultura” ou para “manter honestas as outras disciplinas” (PMN 392,

162).

A filosofia pode,

preferir ver a si própria “como a tentativa de subscrever ou desmascarar as declarações de conhecimento feitas pela ciência,

tal preferência nada mais é do que um “episódio” na história da cultura ocidental (PMN,

390).

A base contínua de tais reivindicações pela primazia da filosofia é,

a crença que a filosofia é a “posse de um órgão mais elevado de conhecimento que o utilizado pela ciência positiva e pela experiência prática ordinária…”vii.

A formulação de Rorty acerca deste comentário sobre a história da filosofia é semelhante: “os filósofos estão sempre reivindicando terem descoberto métodos que são menos conjecturais,

ou de qualquer modo mais puros do que aqueles dos não-filósofos” (CP19).

Atualmente,

compreendemos esta reivindicação de um acesso privilegiado a realidade,

feita em consideração ao papel da filosofia como disciplina fundacional – como “a área da cultura aonde se vai ao fundo (PMN 4)” – através de sua teoria do conhecimento (cf.

PMN 132,

CP 87-88,148).

A esse respeito,

Rorty escreve que,

“enquanto um médico enfrentando dilema médico-moral pode usar o conceito de ‘pessoa’ ou de ‘melhor interesse’,

podemos analisar… [e] clarificar” (CP 222),

porque temos a teoria do conhecimento.

esta auto-imagem justificou muito a arrogância intelectual dos filósofos,

que nossa cultura não levou a sério mais do que devia.

Como escreve Rorty,

nossas pretensões de “ ‘fundamentar’ isto e ‘criticar’ aquilo foram desdenhadas por aqueles cujas atividades estavam sendo alegadamente sendo fundamentadas ou criticadas” (PMN 5).

Algumas delas pensaram,

que nossas profundas observações estavam ‘acima’ delas – mas a maioria entendeu melhor e permaneceu imperturbada.

Diante da confusão e desconfiança de sua suposta audiência,

a filosofia voltou-se para si mesma.

Rorty escreve que nossa perícia tornou-se centrada no comando de “um certo vocabulário técnico – que não tem uso fora dos livros de filosofia e que não se conecta com nenhuma das questões da vida cotidiana,

Uma terceira similaridade entre Rorty e Dewey é,

condenação do isolamento da filosofia profissional.

Para Dewey e,

para Rorty (como veremos abaixo),

a filosofia deveria estar arraigada nas questões e problemas de sua cultura.

Esta é a quarta similaridade entre eles.

Dewey escreve que a “filosofia,

a literatura e as artes plásticas,

é um fenômeno da cultura humana”

estar conectada com as crises e tensões na conduta das coisas humanas”viii.

De fato,

“o papel principal da filosofia é trazer à consciência,

os mais importantes choques e dificuldades inerentes das complexas e cambiantes sociedades desde que estes tenham a ver com conflitos de valor”.ix Porém,

em vez desta relação íntima,

encontramos na filosofia contemporânea,

um intelectual isolado que gasta a maior parte de seu tempo,

em “exercícios intelectuais”,

“refinando e polindo ferramentas para serem usadas...

apenas para refinar mais ferramentas exatamente do mesmo tipo”.x Como Rorty observa,

tais indivíduos podem ser mais habilidosos,

mas dificilmente são mais “sábios” (CP221).

Além do mais,

sem suas raízes nos eventos de uma cultura,

perde o que Dewey chama de sua “significação humana”xi.

Os filósofos continuam fazendo aquelas tarefas intelectuais que consideramos interessantes,

independentemente das necessidades humanas ou sociais.

Dewey continua,

“há questões de extrema importância” que falham ao serem discutidas

“o vácuo deixado nos assuntos práticos” será preenchido pelos “costumes,

interesses de classe e tradições …”xii.

Nossa situação atual,

A quinta e última similaridade entre Dewey e Rorty que devo salientar é sua crença que a filosofia deve ser deliberadamente reconstruída.

Dewey e Rorty concordam que não devemos nos preocupar em preservar a identidade da filosofia futura com a filosofia passada.

Para Rorty,

a filosofia não nomeia nenhum “tipo natural” de atividade (CP 226

nem consiste em áreas problemáticas predeterminadas (cf.

CP 214-218

PMN 394).

seria fútil especular acerca “do que especificamente a filosofia irá consistir no futuro …”xiii.

A filosofia,

está evoluindo – para o quê,

sabemos exatamente – mas Dewey e Rorty acreditam que ela pode se tornar algo melhor do que é agora.

Porém,

eles diferem substancialmente sobre o que constituiria uma ‘melhor’ filosofia

e é para estas diferenças que volto-me agora.

III Por um lado,

não deveria nos surpreender quando reconhecemos que o que Rorty nos oferece como um tratamento de nossas mazelas atuais não seria a prescrição de Dewey.

Freqüentemente,

indivíduos parecerão concordar de perto sobre a existência de um problema enquanto discordam nitidamente sobre as soluções propostas.

Como o próprio Rorty escreve acerca da relação entre Dewey e Heidegger: “uma extraordinária quantia de acordo sobre a necessidade da ‘destruição da história da ontologia ocidental’ pode ser combinada com uma noção totalmente diferente do que poderia suceder a ‘ontologia’ ” (CP 42).

Por outro lado,

deveria nos incomodar o fato de que a relação entre Dewey e Rorty não é próxima,

já que Dewey é um dos heróis que,

Rorty sustenta,

está por trás de sua reconstrução da filosofia (cf.

PMN 5,

368).

A diferença de Rorty em relação a Dewey é vista claramente em seu repetido uso de uma série de termos,

que ele considera inter-relacionados e complementares,

a fim de reduzir nossas opções filosóficas a apenas duas.

Nossa escolha entre filosofias deve ser,

Rorty escreve,

ou: – confrontadora e argumentativa ou conversacional

– sistemática e fundacionista ou edificante

– construtiva ou terapêutica

– epistemológica ou hermenêutica

– o trabalho de um filósofo-rei ou o trabalho de um diletante

– a busca pela verdade ou a satisfação com não mais do que o sentido.xiv Para Rorty,

as últimas alternativas são sempre as melhores.

Para mostrar como essas escolhas forçadas operam em seu trabalho,

gostaria de me concentrar na sua exploração de três idéias-chave: conversação,

Em primeiro lugar,

Rorty quer substituir a filosofia-como-confrontação-eargumento pela filosofia-como-conversação (cf.

CP 218-223

PMN 170-171).

Ele escreve,

que precisamos “impedir a conversação de se degenerar em investigação”,

através da qual ele quer dizer,

a própria “busca por conhecimento” estritamente interpretado (PMN 372,

Rorty vê a “manutenção da conversação como uma meta suficiente da filosofia”,

e ele caracteriza “a habilidade de sustentar uma conversação” como “sabedoria” (PMN 378

372).

Como uma compreensão do papel da filosofia na cultura,

esta posição é bastante problemática.

Todavia,

esta posição não é apenas uma sugestão sobre a filosofia contemporânea.

Também é como Rorty compreende Dewey: como um “historicista” ou “relativista” ou “esteta”xv,

embora ocasionalmente “esqueça sua própria subordinação peirciana da verdade à beleza (CP 51),

vê a satisfação estética como nossa mais elevada meta possível.

Separado deste Dewey conversacional está a distinção cuidadosamente preservada entre desiderata e desideranda,

“entre fins que meramente parecem bons e aqueles que realmente são assim – entre plausíveis e enganosos bens,

e os verdadeiros bens duradouros”xvi.

Separado deste Dewey conversacional também está o reconhecimento que “[o] fato de que algo é desejado apenas suscita a questão de sua atração

requer investigação – investigação não no sentido de busca pelo conhecimento estritamente interpretado,

mas no sentido de busca pela reconstrução particular que resolverá o problema à mão e preservará os “verdadeiros bens duradouros”.

Ao assumir esta compreensão conversacional de Dewey,

Rorty parece simplesmente ter interpretado mal os textos.

Em determinado lugar,

Rorty usa Reconstruction in Philosophy,

citando favoravelmente a crença de Dewey que: Quando a filosofia tiver cooperado com o curso dos eventos e tornado claro e coerente o significado do detalhe diário,

a ciência e a emoção se interpenetrarão,

a prática e a imaginação se abraçarão.

A poesia e o sentimento religioso serão as flores espontâneas da vida.

(CP 45)xviii Mas Rorty cita esta passagem em defesa de sua visão da filosofia-comoconversação,

sem perceber que Dewey escreveu no mesmo parágrafo que embora a

a arte e a religião sejam "coisas preciosas",

tais valores não podem ser criados “pela ação diretamente voltada à sua produção …” Antes,

tais bens só podem ser desenvolvidos indiretamente “pela substituição da fé nas tendências ativas cotidianas,

para o terror e aversão delas,

e pela coragem e inteligência de seguir na direção que as mudanças científicas e sociais nos conduz”xix.

Isto significa,

que não podemos simplesmente encontrar tais valores no mundo da conversação.

A poesia,

a arte e o sentimento religioso devem ser trabalhados para esse fim.

Os valores humanos devem ser construídos por meio de ação indireta,

porém deliberada.xx Nos oferecer como única alternativa à nossa situação filosófica atual uma compreensão da filosofia como conversação não trará qualquer avanço à construção dos valores.

Precisamos e temos,

Outra idéia de Rorty é que os filósofos devem ser edificantes em vez de sistemáticos ou fundacionistas – tentando “ajudar seus leitores ou a sociedade como um todo,

a se livrar de vocabulários e atitudes desgastados,

em vez de fornecer ‘fundamentos’ para as intuições e costumes do presente” (PMN 12).xxi Novamente,

parece existir mais do que essas duas opções.

Para Rorty esta nova filosofia,

em vez de tentar oferecer a compreensão final da Realidade,

deve tentar prover novas versões de “como manter as coisas unidas” (CPxxxix).

A esse respeito,

Rorty vê Dewey “endossar a descrição de James da filosofia como ‘visão’ ” (CP 45),

embora na passagem citada por Rorty,

Dewey diga que tal imaginação filosófica deve estar fundamentada em hipóteses circunstanciais específicas,

garantida pelo conhecimento existente e “testada pelas conseqüências das operações [as hipóteses] evocadas…” Caso contrário,

tal imaginação filosófica é “dissipada em fantasias e evapora-se nas nuvens”.xxii Aqui também,

parece que a rejeição de Dewey à abordagem fundacionista não o leva a concordar com a reivindicação de Rorty por edificação.

Precisamos e temos,

Em terceiro lugar,

Rorty afirma que sua filosofia reconstruída deve adotar um “espírito de jocosidade” (PMN 166).

Deveria ser menos crítica e negativa e ser mais “relaxada” (CP 218).

Em vez de atacar todas as posições que nos são apresentadas,

“deveríamos deixar cem flores vicejarem …” (CP 219).

em vez de tomos filosóficos bem argumentados,

deveríamos escrever “sátiras,

paródias [e] aforismos” (PMN 369).

Talvez Rorty esteja indo por esse caminho quando ele faz a seguinte observação: que no futuro,

“nós [filósofos] deveríamos fazer comentários indesejados e impertinentes pelo menos como qualquer outro grupo profissional,

melhor que a maioria” (CP 221

PMN 393),

ou que “[uma] nação pode se considerar afortunada por ter milhares de intelectuais ociosos e relativamente não especificados que são excepcionalmente bons em juntar e separar argumentos (CP 220-221).

Dewey,

discute a importância de um tipo de jocosidade

xxiii mas as próprias discussões de Rorty sobre isto devem mais a James do que a Deweyxxiv.

O mundo de Dewey é mal interpretado como um mundo da jocosidade – pois é principalmente um mundo de trabalho sério e zeloso.

O mundo de Dewey é um mundo no qual nunca fizemos o bastante – é um mundo no qual “o melhor é,

um mundo no qual alguém que está começando a “tornar-se menos bom”,

não importa o quão bom ele ou ela,

O mundo de Dewey não é um mundo em que deixamos de lado o que Rorty denomina “o espírito da seriedade”,

mas um mundo no qual tentamos cultivá-lo e expandi-lo.

E tendo defendido o espírito da seriedade em Dewey,

devo prosseguir e dizer que de modo algum é preciso afirmar,

que “o espírito da seriedade só pode existir em um mundo intelectual no qual a vida humana é uma tentativa de atingir um fim além da vida,

uma fuga da liberdade rumo ao atemporal” (CP 87).

Dewey não busca tal fuga,

A filosofia de Dewey não se ajusta em nenhum dos lados da esmerada dicotomia de Rorty: ela não é confrontadora ou profissional – e nem é conversacional,

Para Dewey,

a filosofia está acima de qualquer outra tarefa – a tarefa de avaliação e crítica: “o trabalho da filosofia é a crítica de crenças

de crenças que atualmente são tão extensas socialmente quanto são fatores dominantes na cultura” xxvi.

Contrário à posição de Rorty,

mas na ética: “o trabalho da filosofia é intrinsecamente moral em seu mais amplo sentido humano.”xxvii Sabedoria,

Dewey continua em outro lugar: “é um termo moral”

a própria filosofia é a “busca pela sabedoria que deverá ser um guia da vida”

e seu “interesse primário é clarificar,

liberar e ampliar os bens que estão intimamente ligados às funções

geradas naturalmente da experiência”xxviii.

O entendimento da filosofia de Dewey como avaliação ou crítica resulta diretamente de duas suposições.

Em primeiro lugar,

a mais rica e a mais ampla experiência possível,

é boa o bastante para o homem”xxix.

Em segundo lugar,

o reconhecimento de Dewey de que sua idéia nunca é sequer aproximada no mundo natural: Se os valores fossem tão abundantes quanto amoras e se os canteiros de amoras estivessem sempre perto,

a passagem de uma avaliação para a crítica seria um procedimento insensato.

os valores são instáveis como as formas das nuvens.xxx

Conseqüentemente,

para vivermos felizes ou mesmo ter vidas satisfatórias,

esta crítica permanece como uma grande parte do trabalho do filósofo.

O resultado mais óbvio da substituição rortyana da crítica,

jocosidade é a perda da filosofia como uma ferramenta na reconstrução social.

Para Dewey,

a reconstrução da filosofia foi sempre o primeiro passo para a reconstrução através da filosofia

Para Dewey,

há uma meta continua de resolver problemas e,

não há suposição alguma de que podemos influenciar as condições gerais sob as quais vivemos.

Ele diz,

que é vão esperar poder se proteger,

através da ação intelectual,

da irracionalidade e destrutividade do mundo moderno (cf.

CP 171-172).

Ele vê as tentativas de nutrir as “celebrações à democracia Americana,

ao naturalismo e à reconstrução social” como tendo “exaurido” seu “mercado” (CP 64).

E ele escreve,

que o que importa é nossa lealdade para com outros seres humanos,

resistindo juntos contra a escuridão,

não nossa esperança de fazer as coisas certas” (CP 166).

Esta declaração só é verdadeira se tomarmos “fazer as coisas certas” como sendo uma declaração epistemológica sobre o refletir perfeito da realidade antecedente.

podemos fazer mais que resistir juntos na escuridão porque “fazer as coisas certas” para Dewey,

significa a efetiva reconstrução social para antecipar e lidar com problemas sociais.

IV Como Rorty pôde apresentar um quadro tão fendido da filosofia de Dewey

? A resposta parece ser que Rorty simplesmente omitiu aspectos fundamentais do pensamento de Dewey.

Uma razão para estas omissões pode ser o fato de que Rorty estava interessado em apresentar um quadro de Dewey que fosse aproximadamente paralelo às suas interpretações de Wittgenstein e Heidegger.

Como Rorty admitiu,

“Eu sabia de quais filósofos gostava e apenas quis conectar todos os meus heróis em uma grande história que mostrasse como eles se relacionaram uns com os outros …xxxi” Ajustar estas três figuras numa mesma história motiva necessariamente algum reparo em todas elas.

Outra razão para estas omissões pode ser o fato de que Rorty utiliza só alguns livros de Dewey.

Os textos deweyanos fundamentais para Rorty são quatro: Reconstruction in Philosophy (1920),

Experience and Nature (1925),

The Quest for Certainty (1929),

estes são certamente textos deweyanos centrais

mas eles não contém tudo do pensamento de Dewey,

e até mesmo eles não podem ser completamente compreendidos sem a ajuda de outros escritos deweyanos: por exemplo,

Democracy and Education (1916),

Human Nature and Conduct (1922),

The Public and Its Problems (1927),

e uma seleção de centenas e centenas de artigos em jornais e revistas que Dewey escreveu.

Uma terceira razão pode ser o fato de que Rorty esteja tentando negligenciar áreas do pensamento deweyano que ele considera que poderiam manchar seu quadro de Dewey,

em tais áreas Dewey “na sua melhor forma” (CP 56 n.38

61-65).

Talvez haja outras considerações também

sejam quais forem as razões para estas omissões,

o quadro rortyano de Dewey padece por causa delas.

As omissões às quais estou me referindo são aquelas relativas aos três temas deweyanos centrais: democracia,

São estes temas que dão a filosofia de Dewey sua forma reconhecível e sua força motriz como uma ferramenta na reconstrução social,

Dewey escreve que “[a] reconstrução da filosofia,

da educação e de ideais sociais e métodos … andam de mãos dadas.”xxxii.

Para Dewey,

o complexo e integrado trabalho de reconstrução está por trás de tudo ele escreveu.

Todavia,

este lado de Dewey está ausente do quadro rortyano.

Começando com a democracia,

permita-me retornar brevemente ao papel que esta filosofia reconstruída deve desempenhar no método deweyano de reconstrução social democrática.

Rorty tem razão ao propor que a filosofia deve parar de ser o valentão do bairro

Rorty

“comensurabilidade” – isto é,

a habilidade de várias afirmações discordantes “serem colocadas sob um conjunto de regras que nos dirá como pode ser alcançada uma concordância racional sobre aquilo que resolveria a questão sob cada ponto de vista – entre os vários colaboradores do discurso intelectual quando o critério a ser usado é estritamente epistemológico (PMN 315-316).

Mas isso não é tudo que comensurabilidade pode significar.

Em uma democracia,

comensurabilidade também pode significar o desenvolvimento cooperativo de acordos sociais,

o avanço hipotético de bens,

“a participação de cada ser humano maduro na formação dos valores que regulam a vida conjunta dos homens...”

podemos estar juntos e tentar fazer dar certo,

dentro de nossas situações particulares,

um ambiente ótimo para nossas vidas sociais.

Tentamos trabalhar juntos para resolver nossos problemas compartilhados.

E há uma chance,

ou pelo menos não sabemos com antecedência que não há uma chance,

com relação a tais mazelas sociais,

que se tentarmos nossa derradeira “concordância racional podemos chegar àquilo que resolveria a questão…”.

A solução do problema pode ser semelhante a um critério objetivo passível de ser descoberto.

A apresentação de Rorty da noção fundamental deweyana de “assertividade garantida” como “o que nossos pares,

nos deixarão prosseguir dizendo” (PMN 176

Enquanto que,

Rorty está correto ao afirmar que Dewey não vê nenhum ‘padrão’ externo de verdade ou valor além da sabedoria acumulada da comunidade,

sua compreensão ampliada e casual daquilo que nossos pares deveriam levar em conta,

omite inteiramente a questão deweyana sobre a necessidade de investigação social.

Dewey não concebe simplesmente “a comunidade como fonte de autoridade epistêmica”,

CP 173),

sem a condição adicional que a comunidade seja uma comunidade de investigadores.

Para Dewey,

“asserção garantida depende de

investigação que é de natureza social e direcionada a esforços

específicos para superar problemas específicos.

Tal investigação requer um processo contínuo e comunal de avaliar e julgar,

Deste modo,

a investigação social pode nos oferecer um grau de objetividade – o mais elevado grau de objetividade possível nas relações sociais.

Ao trabalharmos juntos com nossos companheiros através de investigação e discussão,

podemos vir a reconhecer objetivamente as soluções válidas para nossos problemas.

Além disso,

este esforço cooperativo é um exemplo da maneira como os filósofos e especialistas de outras disciplinas podem investigar juntos.

resolver os conflitos e dissolver as confusões do mundo atual”,

Dewey escreve.

“Apenas os membros associados do mundo podem fazer este trabalho de ação cooperativa…”xxxv.

Esta ação cooperativa,

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Sobre la lectura rortyana de la obra de Michel Foucault - Dialnet

tonomía privada 6 En segundo lugar, Dewey versus Foucault 7 En tercer lugar, Foucault Es decir, según Rorty dicho uso de poder correspondería al análisis

https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/3121248.pdf

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